Uma história de força e determinação


Uma história de força e determinação

Fotografia: Edson Jonathan

 

 

Conheça Áurea, aluna do curso de Nutrição UNISUAM, que largou 10 anos de carreira em Administração para realizar o sonho de fazer a diferença

 

 

Fazer escolhas relacionadas ao futuro é sempre uma situação difícil. Se tal decisão tem a ver com o seu futuro profissional, então, nem se fala! E é por isso que a história de Áurea Santa Izabel é admirável.

 

 

Negra, nascida e criada no subúrbio do Rio de Janeiro e filha de um casal que já teve que deixar de pagar as contas para pagar mensalidades de seu colégio, o futuro de Áurea poderia ser mais um que se encaixaria nas estatísticas que fazem muitos jovens crescerem com as pessoas duvidando de sua capacidade. Mas, Áurea decidiu ir além.

 

 

A jovem cresceu acreditando que devia se conformar com o que a vida e as pessoas lhe oferecessem. Se acostumou a ser julgada como inferior e a ter pessoas duvidando da sua capacidade. Sabia que deveria sobreviver ao que viesse e que o seu futuro já estava definido segundo as estatísticas. Entretanto, no meio disso tudo, Áurea admite ter tido um grande privilégio: uma base familiar sólida.

 

 

Áurea na infância

 

 

Filha de uma professora e de um funcionário público, ela lembra da motivação que vinha de dentro de casa. O incentivo dos pais fez toda a diferença para que a menina nadasse contra a maré e não desistisse de ir em busca de oportunidades – mesmo quando elas lhe eram negadas.  

 

 

“Esse apoio e essa dedicação por si só fizeram toda diferença”, confessa Áurea.

 

 

Foi a confiança deles no seu potencial que a fez ter ainda mais vontade de corresponder o esforço que  faziam e seguir um caminho diferente do esperado para moradores de favelas.

 

 

A partir daí, Áurea foi em busca da primeira grande conquista: o Diploma. O curso de Administração não era o seu sonho, mas foi a única maneira que ela encontrou de buscar algo para mudar a sua realidade.  

 

 

“Em tempos em que tudo está muito claro e evidente, em que as pessoas já não fazem mais questão de esconder os seus preconceitos e que os números de genocídios só aumentam, a primeira meta de quem é negro e favelado é continuar vivo”, conclui ela.

 

 

E Áurea conseguiu. Se formou, aproveitou boas oportunidades, trabalhou na área por 10 anos, venceu o preconceito muitas vezes, porém percebeu que aquele não era o seu sonho.

 

 

“Eu sabia que estava ali apenas por ter sido essa a chance de seguir caminhos diferentes, de tentar ter uma vida diferente. E tive. Mas, faltava paixão, faltava algo que me fizesse vibrar e me sentir completa”, explica ela.

 

Áurea com seus pais

 

Áurea queria mais. Sempre em busca de melhorar a cada dia e atualizar as suas referências com pessoas que têm um trabalho fundamental na luta dos negros, ela queria tentar fazer pelas próximas meninas negras o que muitas outras mulheres negras fizeram por ela.

 

 

“Trabalhar pelos meus é a minha forma de lutar contra toda essa estrutura racista”, declara ela.

 

 

Nessa mesma época, Áurea estava começando a mudar certos hábitos. Começou a se dedicar a exercícios físicos, encontrou uma forma de se alimentar melhor, alcançou resultados positivos e avistou ali uma nova área para se aventurar: a Nutrição.

 

 

Foi na UNISUAM que Áurea encontrou a oportunidade que precisava.

 

 

“Era a Instituição que melhor proporcionava custo x benefício, visto que o programa curricular do curso era bem conceituado, e eu ainda ganharia uma bolsa por ser a minha Segunda Graduação”, lembra ela.

 

 

Sair da área de Humanas para a de Saúde pode até parecer fácil, mas foi uma mudança e tanto, principalmente porque as matérias-base são completamente diferentes. Áurea se perguntou, até o 4º período, o porquê de ter feito tal escolha e cogitou até desistir do curso, só que, mais uma vez, ela teve um grande diferencial em sua trajetória: professoras inspiradoras.

 

 

Foram nas brechas de cada conversa que a estudante conseguiu encontrar maneiras de tornar as suas aspirações possíveis. Áurea se deu conta de que poderia fazer coisas que realmente gostaria dentro da Nutrição (como atuar em Saúde Pública) e, então, tudo começou a fazer sentido.

 

 

“Isso me permitiria colocar os meus planos em prática, que eram, basicamente, trabalhar para que pessoas que vêm de onde eu vim, e que possuem história parecidas com a minha, pudessem sonhar e, mais do que isso, concretizar a vontade de ter oportunidade e acesso ao conhecimento. Quando eu me dei conta disso, eu vi que não era por acaso o fato de eu ter escolhido esse curso”, observa ela.

 

Áurea com as Professoras Kátia Mendes e Manuela Dias

 

A Profª Raquel Espírito Santo foi a primeira a aconselhar Áurea, que diz nunca ter esquecido das palavras de confiança ditas pela professora: “Acredita, confia em você mesma, vai em frente, porque você consegue!”.

 

Segundo a estudante, a Profª Kátia Mendes é uma das que mais a inspira e é considerada por ela a sua grande referência dentro da faculdade pelo nível de conhecimento absurdo que possui, pela forma didática com que ensina e pela partilha generosa com seus alunos. Renata Nogueira e Giselle Oliveira também são mencionadas pela aluna com profunda gratidão e ela ainda destaca a Profª Manuela Dias, que lhe acolheu desde o início e tem lhe dado um apoio fundamental. A aluna define a professora como uma pessoa incrível e uma profissional que sabe extrair o melhor que o aluno tem a oferecer.  

 

 

“Encontrei nela uma parceira, com a qual sei que posso contar sempre e que faz de tudo para me incentivar”, declara, com afeto, Áurea.

 

 

Manuela, inclusive, apoia a aluna fora da sala de aula e foi lhe prestigiar em sua primeira palestra, que integrou a programação do evento 21 dias de ativismo contra o racismo, realizado entre os dias 07 e 27/03.

 

 

“Me fez sentir confortável e segura apesar de todo o nervosismo do momento”, revela Áurea.

 

 

A campanha é recente, está no seu segundo ano consecutivo, e surgiu em memória ao Massacre de Shaperville, ocorrido no dia 21/03/1969, em Joanesburgo – África do Sul, onde negros e negras africanos se levantaram contra o regime do Apartheid e a Lei do Passe, que restringia o acesso das pessoas negras às outras regiões da cidade. Essa manifestação foi marcada pelo assassinato de 69 pessoas, além das 186 que sofreram agressões brutais pela repressão durante o protesto.

 

Áurea e as Doutoras Monique França e Andrea Gonçalves, que integraram a mesa Racismo no Sistema de Saúde

 

O evento é marcado por diversas atividades, mas, até então, Áurea só havia participado como espectadora. O convite para ser palestrante se deu por meio da Drª Monique França, Médica de família e comunidade, que ajudou Áurea a se tornar membro do Grupo de Trabalho em Saúde da População Negra.

 

 

A palestra, baseada em um texto que Áurea escreveu no ano passado, no dia da Consciência Negra, sobre Desigualdade e Alimentação, levou tais reflexões para a mesa “Racismo no Sistema de Saúde“.

 

 

Para ela, enquanto mulher negra e periférica, é fundamental a existência de campanhas que levem a nossa sociedade à reflexão de como as desigualdades vivenciadas pela população negra são frutos de uma falsa abolição e culminam no racismo estrutural e cotidiano pela falta de reparação.

 

 

Apesar do nervosismo e do desafio que era compartilhar as suas reflexões para o público, Áurea não hesitou em aceitar o convite, pois há muito tempo vem desejando esse tipo de oportunidade.

 

 

”Eu entendo que se surgiu agora é porque chegou a hora de compartilhar com as pessoas tudo aquilo que, de certa forma, me incomoda e me leva a pesquisar e buscar diferentes soluções e caminhos”, comenta ela.

 

 

Hoje, aos 28 anos, Áurea espera passar uma mensagem objetiva aos negros e moradores de comunidade que têm o sonho de estudar: é possível!

 

 

“Mesmo sendo extremamente difícil, mesmo que pareça absurdo, não importa quantas oportunidades nos sejam negadas, nós somos capazes e precisamos tomar de volta o que nos foi roubado. Conversem consigo mesmos, definam os seus objetivos, tracem as suas metas, busquem referências próximas a vocês, tenham força e não desistam!”, afirma ela.

 

 

 

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Para mais informações, ligue (21) 3882-9797

 

 

 

 

 

Revisão: Luana Medeiros





Mariana Mortani

Por

Mariana Mortani é estudante de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Foi colunista do Pauta Rio, do site da autora Isabela Freitas e tradutora de Inglês, Espanhol e Italiano do autor argentino Hugo Accardi. Em 2014, organizou a primeira Feira Literária da Zona Norte do Rio de Janeiro; em 2017, publicou o seu primeiro livro; e, desde 2012, atua no mercado literário com leituras críticas, traduções, entrevistas e cobertura de eventos. Atualmente, está estagiando no setor de Comunicação e Marketing da UNISUAM e possui um canal no YouTube sobre cinema e literatura com mais de 1 milhão de visualizações.

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