Surdez – Mitos e verdades


Surdez – Mitos e verdades

Artigo produzido pela Profª Me. Alessandra Sirvinskas – Mestre em Diversidade e Inclusão pela UFF,  Professora Regente do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico do Instituto Nacional de Educação de Surdos –  INES, Professora palestrante convidada da unidade Deficientes Visuais e Auditivos da Pós-Graduação em Educação Física Adaptada e Paradesporto UNISUAM.


Dentro da sociedade há muitos mitos sobre a surdez. Muitas vezes, as pessoas se referem à pessoa surda como “mudinho” ou “surdo-mudo”, tentam gritar com a pessoa, subestimam a sua capacidade, recusam a participação do surdo em ambientes de academias e clubes alegando que não há pessoal especializado no local. 


👉 Deficiência intelectual e o isolamento social durante a pandemia



11 mitos sobre surdez que estão entranhados em nossa sociedade



1. Todo surdo é mudo. Mito! 

A surdez não provoca ou está diretamente ligada à mudez. Existem diferentes graus de perda auditiva, de leve a profunda. Dependendo do grau, a aquisição da fala é mais difícil, como ocorre na surdez severa e profunda. Nesses casos, para a aquisição da língua oral, é necessário um trabalho intenso com Fonoaudiólogo. Existem pessoas que são mudas, não possuem as cordas vocais, têm algum dano nas cordas vocais ou têm algum dano cerebral que as impede de falar, mas não significa que sejam surdas.


2. Se o surdo está de aparelho ele ouve normalmente. Mito! 

O aparelho contribui para amplificar os sons e melhorar a percepção auditiva, mas essa amplificação dos sons não se dá de forma seletiva. Por isso, em ambientes com muitos barulhos, a distinção dos sons fica comprometida. Além disso, dependendo do tipo de perda auditiva, o aparelho simples pode não fazer qualquer efeito, exigindo uma intervenção cirúrgica, implante coclear, ou, em outros casos, não haver nenhum aparelho que seja efetivo, seja porque a cóclea está calcificada, seja pela ausência desta.


3. O surdo tem preguiça de ouvir ou de falar. Mito! 

A audição não é algo que basta colocar um aparelho e o indivíduo passa a ouvir. Há a necessidade de intenso trabalho fonoaudiológico, que pode durar anos, para treinar o indivíduo a discriminar os sons, perceber a diferenciação, ensinar o cérebro a ouvir. A fala também exige intenso trabalho e, nos casos em que não há qualquer pista auditiva, depende muito da sensibilidade do surdo para diferenciar as vibrações e a sua percepção da articulação bucal.


4. Se eu gritar, ele ouve. Verdade/Mito. 

Dependendo do grau de perda auditiva, esse recurso pode até servir. Pessoas com perda leve e alguns com perda moderada conseguem ouvir sons altos. Todavia, se a pessoa tiver um grau mais elevado de perda moderada ou se tiver uma perda severa ou profunda, gritar não adianta nada. Para esses, os sons percebidos precisam ser muito altos como a turbina de um avião ou a sirene de um caminhão de bombeiros. Em todo caso, como você não sabe ao certo qual o grau de perda auditiva do indivíduo, não grite! Fale de frente para ele, articule bem as palavras e demonstre, através da sua expressão facial, a intensidade daquilo que deseja informar.


5. Surdo tem dificuldade para aprender. Mito! 

A surdez não está relacionada à deficiência intelectual. Existem síndromes que podem ter um leque de comorbidades combinadas em que haja a deficiência auditiva e a deficiência intelectual mas, no geral, a pessoa surda é apenas surda. Tem plena capacidade de aprendizado.


6. O surdo é um coitadinho, ele não consegue. Mito! 

O surdo tem potencialidades assim como qualquer pessoa ouvinte. Não se deve tratá-lo como alguém que não entende ou que não tem condições de fazer algum tipo de esforço. O que ocorre, muitas vezes, é um entrave comunicacional, que acaba dificultando a compreensão daquilo que é solicitado. Não se trata de falta de capacidade.


7. O surdo não pode competir em igualdade com o ouvinte. Mito! 

O surdo tem as suas capacidades físicas preservadas. Em um treino, ele pode e deve ser exigido assim como se faz com um ouvinte. Para que haja igualdade na competição, algumas adaptações são necessárias, como, por exemplo, sinal luminoso em vez de sonoro nas largadas, sinal com bandeiras ao invés de apitos. Há alguns atletas surdos que competem em alto nível junto a ouvintes.


8. Todo o surdo tem problema de equilíbrio. Mito! 

A perda auditiva pode ter várias razões, não necessariamente está ligada ao labirinto. Deve-se sempre observar cada um individualmente e avaliar quais são as suas necessidades e dificuldades. Não se deve partir da premissa de que haja essa ou aquela dificuldade.


9. Todo surdo sabe ler e escrever. Mito! 

Nem todos os surdos foram devidamente alfabetizados, assim como nem todos os ouvintes. A aquisição da língua lida e escrita depende de um bom trabalho de professores e um bom apoio familiar. Muitas vezes, o entrave linguístico, tanto entre professor-aluno quanto entre os familiares e o surdo, acabam prejudicando o processo de aquisição deste conhecimento. Por isso mesmo que a comunidade surda luta para conseguir uma educação baseada na língua de sinais, por entenderem que a aquisição linguística, a decodificação através de símbolos linguísticos, é fundamental para a construção de conceitos abstratos e melhor aquisição dos demais conhecimentos.


10. Todo surdo é ruim em Português. Mito! 

Há surdos que leem e escrevem muito bem. Alguns leem e escrevem em outras línguas também. Assim como para o ouvinte, o ato de ler e escrever exige dedicação e esforço, é um treino intensivo. Algumas vezes, o processo de aquisição desse conhecimento é prejudicado pela falha na comunicação durante o aprendizado, tanto por parte do professor quanto por parte da família, e/ou pela falha nas estratégias pedagógicas adequadas para a pessoa surda ou mesmo pela falta de incentivo e exemplo dentro do ambiente familiar.


11. Todo surdo sabe língua de sinais. Mito! 

Há surdos não têm contato com a língua de sinais e se comunicam através de gestos familiares (gestos que a família desenvolveu no lar). O que acarreta uma limitação comunicativa, já que apenas aquele grupo familiar sabe o que cada gesto significa. Há também aqueles que foram oralizados desde cedo, para os quais a primeira língua é de fato a língua oral, seja porque não tiveram oportunidade de contato com a língua de sinais, seja por opção da família. Estes surdos oralizados, normalmente, falam e fazem leitura labial para estabelecerem uma comunicação. Alguns são oralizados porque a perda auditiva se deu quando mais velhos. Já tinham adquirido a fala e, portanto, continuam se comunicando através dela.



Venha para a UNISUAM e seja um profissional diferenciado neste novo mundo! Conheça a Pós-Graduação em Educação Física Adaptada e Paradesporto UNISUAM



Para mais informações, ligue (21) 3882-9797






Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Nenhum comentário