Pesquisador português conclui estudo, realizado em parceria com a UNISUAM, sobre os problemas organizacionais na cidade do Rio de Janeiro durante os Jogos Olímpicos 2016


Pesquisador português conclui estudo, realizado em parceria com a UNISUAM, sobre os problemas organizacionais na cidade do Rio de Janeiro durante os Jogos Olímpicos 2016

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Tiago Ribeiro, pesquisador português que estudou, em parceria com a UNISUAM, os problemas organizacionais da cidade do Rio de Janeiro durante a realização dos Jogos Olímpicos 2016 concluiu seu estudo e submeteu o resumo “Estudo dos problemas organizacionais no Rio 2016: Uma abordagem metodológica” para aprovação no X Congresso Internacional de Educação Física e Motricidade Humana e no XVI Simpósio Paulista de Educação Física, eventos que acontecerão, simultaneamente, em Rio Claro-SP, entre os dias 15 e 18/06, que têm como objetivo principal proporcionar uma ampla discussão de questões interdisciplinares sobre o ser humano em movimento.

Realizados a cada 2 anos pelo Departamento de Educação Física – DEF do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista – UNESP/Campus de Rio Claro, os eventos científicos reúnem pesquisadores nacionais e internacionais, tanto profissionais como estudantes da área, que visam divulgar e discutir os recentes avanços científicos e/ou tecnológicos da área de Educação Física e Motricidade Humana e áreas correlatas, envolvendo a participação de professores universitários, alunos de Graduação e Pós-Graduação e profissionais de Educação Física e áreas afins, por meio de palestras, mesas-redondas, encontros e apresentação em sessões de temas livres e pôsteres.

O resumo submetido por Tiago descreve a metodologia aplicada por ele para analisar os problemas nos Jogos Olímpicos Rio 2016 e as suas relações com o impacto social. Englobando revisão sistemática da literatura, estudo exploratório, análise de conteúdo documental e estatística, os métodos utilizados trouxe robustez ao trabalho desenvolvido e, de acordo com ele, espera-se que esta proposta metodológica seja um passo decisivo na compreensão deste estudo, fornecendo pistas importantes para futuras pesquisas empíricas, no âmbito dos eventos desportivos.

O pesquisador foi co-orientado pelo Vice-Reitor de Pesquisa, Extensão e Inovação UNISUAM, Prof. Carlos Alberto Figueiredo da Silva, que também assina como autor o resumo enviado ao evento, juntamente com os outros orientadores, Professores Rui Biscaia – Coventry University e Abel Correia – Universidade de Lisboa.

 

Núcleo de Relações Internacionais da UNISUAM

E-mail: nri@unisuam.edu.br

Telefone: [+55] (21) 3882-9990

 

 

 

Leia na íntegra o resumo submetido:

 

Estudo dos problemas organizacionais

no Rio 2016: Uma abordagem metodológica

Ribeiro, T. 1 ³; Correia, A.1; Biscaia, R.²; Figueredo, C.³

 

1Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal; ² Coventry University, Reino Unido; ³Centro Universitário Augusto da Motta – UNISUAM, Rio de Janeiro, Brasil

 


Resumo

Este estudo tem como objetivo apresentar a abordagem metodológica que se utilizou para a identificação e classificação dos problemas organizacionais nos Jogos Olímpicos Rio 2016 e como consequente o impacto social. Utilizaram-se as seguintes técnicas para a recolha de dados: entrevista semi-estruturada, questionário, recolha documental (fotografias, notícias e material de arquivo) e notas de campo, baseadas nos problemas organizacionais. Os metódos de análise adotados foram: a revisão sistemática da literatura, análise explorátoria a análise de conteúdo, a análise documental e análise estatistica (equações estruturais).  Espera-se que o conjunto de métodos utilizados seja um passo decisivo na compreensão dos problemas organizacionais bem como as suas implicações na gestão do impacto social no Rio de Janeiro.

Palavras-chave: megaeventos, problemas, métodos.

 

Abstract

The objective of this paper presents a methodological approach to identify and classify the organizational issues at the 2016 Rio Olympic Games, and social impact as consequent. Interviews, questionnaires, documentary collection (photographs, news and archival material) and field notes based on organizational issues were used as data collection techniques. The analysis methods adopted were: systematic review of the literature, exploratory analysis, content analysis, documentary analysis and statistical analysis (CFA). It is hope that set of methods will be approved in a decisive step in understanding the organizational issues, as well as its implications for social impact management in Rio de Janeiro.

Keywords: mega events, organizational issues, methods.

 

 

Introdução

Inseridos num contexto cada vez mais dinâmico e competitivo, os Jogos Olímpicos são afetados por vários problemas organizacionais, os quais precisam ser identificados, no sentido de se encontrarem soluções para que a entidade organizadora possa operar de forma mais eficiente e eficaz (Parent, 2008). Os problemas organizacionais são incoerências ou controversias, com base em diferenças de expectativas e com implicações no desempenho organizacional (Zyglidopoulos, 2003).

Ao longo do tempo o processo de acolhimento dos Jogos tornou-se mais complexo, caro e competitivo, deixando consequências nas comunidades locais. As edições mais recentes dos Jogos Olímpicos (por exemplo,  Londres 2012) têm enfatizado a necessidade de proporcionar um impacto positivo e duradouro para as comunidades anfitriãs (Leopkey e Parent, 2015).

No caso do impacto social, vários estudos têm demonstrado a importância de se identificar os fatores que influenciam o impacto social após o evento (Inoue & Havard, 2014). O impacto social é definido como um orgulho local, julgamento da comunidade entre os moradores que acolhem o evento (Crompton, 2004).

Este trabalho teve como objetivo compreender os problemas nos Jogos Olímpicos Rio 2016 e as suas relações com o impacto social. Além disto, este trabalho procura contribuir para a discussão metodológica sobre a análise qualitativa e quantitativa do objeto de estudo ao relatar um procedimento sequenciado e sistematizado.

 

Método

A abordagem metodológica utilizada foi composta por revisão sistemática da literatura, estudo exploratório, análise de conteúdo, documental e estatistica.

Inicialmente, uma revisão sistemática da literatura foi realizada, durante o ano de 2015. Esta revisão sistemática obedeceu a um conjunto de critérios de inclusão: artigos completos; ser um documento oficial publicado pelo Comité Olímpico Internacional ou comités organizadores; e exclusão: artigos escritos em inglês;  e artigos com revisão por pares. Como fontes de recolha de dados, foram consultadas as bases de dados: EBSCo Service, B-on e Science Direct. Na pesquisa, foi utilizada uma estratégia de busca com sete palavras-chave. Esta pesquisa forneceu 648 artigos, publicados entre 1960 e Dezembro de 2015. Os resumos foram lidos e, destes, todos os artigos completos e potencialmente relevantes foram recuperados (n = 65). Foram excluídos os estudos que não estavam associados a megaeventos esportivos ou não descreviam problemas organizacionais. Em seguida, foram analisados livros, sobre o tema e manuais de organização de eventos, com base nos mesmos critérios (n=7). Posteriormente, foram examinados relatórios publicados pelo Comité Olímpico Internacional (COI), relatórios oficiais das últimas cinco edições dos Jogos Olímpicos e os relatórios oficiais publicados pelo Comité Organizador dos Jogos Olímpicos Rio 2016 (n=14). Esta pesquisa resultou em 59 documentosque lidos e analisados com base nos problemas organizacionais.

Em seguida, um estudo exploratório foi realizado. Uma amostra intencional composta por 26 participantes, pré-selecionados como voluntários para participar nos Jogos Olímpicos Rio 2016, fez parte deste estudo. Foi disponibilizado um questionário online, de resposta aberta, para que os participantes pudessem responder livremente às questões. Todos os dados foram recolhidos por meio de uma plataforma de inquéritos online, dada à facilidade na recolha dos dados. Este questionário online foi aplicado 6 meses antes do evento. As respostas foram analisadas, identificando-se e classificando-se os problemas organizacionais existentes.

Posteriormente, foram realizadas entrevistas, com o intuito de identificar outros problemas organizacionais, em diferentes níveis hierárquicos da organização dos Jogos Olímpicos Rio 2016. As entrevistas foram realizadas, entre os dias 1 de Julho e 4 de Agosto (pré-Jogos). A amostra intencional foi composta por: a) 3 diretores dos Jogos; b) 3 membros do staff dos Jogos; c) 1 empresa parceira e d) 3 voluntários dos Jogos. Utilizou-se um guião de entrevista semiestruturada, com base em doze categorias de problemas identificadas na revisão sistemática da literatura. Foi efetuada uma análise de conteúdo, empregando um processo de codificação aberta e axial, utilizando o software Atlas.TI 7.

De seguida, uma análise documental foi realizada. Esta análise foi baseada em notícias publicadas nos meios de comunicação social sobre os problemas nos Jogos Rio 2016. Todas as notícias foram publicadas online, em 27 jornais nacionais e internacionais, entre 1 de Junho e 4 de Agosto de 2016,. Para recolha das notícias  foi usado o “Google Analitycs”, que filtrou diariamente as notícias, com as palavras-chave: “Rio 2016” e “Jogos Olímpicos”.

A análise estatística foi realizada na sequência da aplicação dum questionário aos voluntários credenciados para os Jogos Olímpicos Rio 2016. Este questionário foi aplicado presencialmente durante o evento, com uma equipa de cinco voluntários devidamente treinados para recolher os dados. Os questionários eram de autopreenchimento e permitiam avaliar a perceção dos participantes sobre os problemas organizacionais. Todos os participantes assinaram o termo de consentimento informado, livre e esclarecido. Foi usado o software SPSS Statistics e AMOS no tratamento dos dados. Recorreu-se à análise fatorial confirmatória para analisar as relações entre os problemas organizacionais e o impacto social nos Jogos Olímpicos Rio 2016.

Por fim, uma recolha fotográfica foi realizada nos dias 11 de Junho (pré-Jogos), 16 de Agosto (tempo dos Jogos) e 22 de Outubro (pós-Jogos). As fotografias foram retiradas por um fotógrafo profissional, na presença de dois investigadores da área científica da gestão do desporto, para garantir a confiabilidade na recolha dos dados. Os pontos de extração corresponderam a cinco locais sinalizados como instalações olímpicas criados especificamente para acolher os Jogos Rio 2016. As notas de campo são fruto da experiência do investigador, e foram recolhidas durante a sua permanência no evento (de Maio a Outubro). Todas as notas foram registadas no blogue pessoal do investigador, e posteriormente foram sistematizadas e caraterizadas com base nas categorias de problemas organizacionais. As fotografias e as notas de campo recolhidas ao longo dos Jogos (antes, durante e após) foram um complemento aos metódos utilizados e contribuiram para dar  complementar a análise dos dados.

 

Resultados e Discussão

A revisão sistemática da literatura permitiu resumir a informação existente na literatura sobre os problemas organizacionais, identificando 12 categorias de problemas e 85 problemas específicos. O estudo exploratório foi importante porque centrou-se numa descrição prévia dos potenciais problemas antes dos Jogos, identificando 40 problemas especificos distribuidos por 9 categorias. O recurso às entrevistas possibilitou o contato direto entre o investigador e os protagonistas dos Jogos,  permitindo identificar 37 problemas, pertencentes a 9 categorias. A análise documental forneceu a visão dos meios de comunicação social sobre os Jogos Rio 2016, indicando 213 problemas especficos espelhados em 12 categorias de problemas organizacionais. A análise estatistica forneceu evidências empiricas sobre a relação dos problemas como antecedente do impacto social. E por fim, a recolha fotográfica fornecereu 20 fotografias e as notas de campo 12 asserções empíricas, que complementaram a análise e evidenciaram os problemas nos Jogos Rio 2016.

A abordagem metodólogica utilizada permitiu uma análise robusta dos problemas organizacionais por combinar metódos de análise qualitativa e quantitativa. Esta abordagem permitiu realizar a triangulação (i.e., procura de convergência através de diferentes estratégias), complementaridade (i.e., procura de elaboração, ilustração dos resultados de uma metodologia para outra), e desenvolvimento dos dados (i.e., usar os resultados das entrevistas para atualizar os questionários, como sucedeu no nosso estudo), misturando dados tanto qualitativos quanto quantitativos no momento da interpretação.

 

Conclusões

A abordagem metodólogica desenvolvida permitiu realizar uma integração sistemática de métodos qualitativos e quantitativos num único estudo, com o objectivo de obter uma visão mais abrangente e uma compreensão mais profunda dos problemas organizacionais e das suas relações com o impacto social Cada técnica utilizada trouxe robustez ao trabalho desenvolvido e contribuiu para o conhecimento dos problemas organizacionais nos Jogos Rio 2016. Espera-se que esta proposta metodológica sejam um passo decisivo na compreensão deste construto, fornecendo pistas importantes para futuras pesquisas empíricas, no âmbito dos eventos desportivos.

 

Referências

Crompton, J.L. (2004). Beyond economic impact: An alternative rationale for the public subsidy of major league sports facilities. Journal of Sport Management, 18(1), 40–58.

Inoue, Y. & Havard, T. (2014). Determinants and consequences of the perceived social impact of a sport event. Journal of Sport Management, 28(3), 295-310.

Parent, M. (2008). Evolution and issue patterns for major-sport-event organizing committees and their stakeholders. Journal of Sport Management, 22(2), 135–164.

Zyglidopoulos, S.C. (2003). The issue life cycle: Implications for social performance and organizational legitimacy’, Corporate Reputation Review, 6(1), 70–81

 

Nota dos autores

Tiago Ribeiro é doutorando da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, Lisboa/Portugal.

Abel Correia é professor da Universidade de Lisboa e Rui Biscaia é professor da Coventry University.

 

 

 

 

 

 

 

 





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