Pesquisa do Mestrado em Desenvolvimento Local UNISUAM obtém aprovação de patente que será apresentada em congresso na Colômbia


Pesquisa do Mestrado em Desenvolvimento Local UNISUAM obtém aprovação de patente que será apresentada em congresso na Colômbia

A carne de rã-touro, comercializada no Brasil, vem ganhando espaço na alimentação da população, não só pelo sabor suave, intermediário entre o frango e o peixe, e pelo baixo teor calórico, por possuir uma pequena quantidade de gordura saturada, mas também por ser cientificamente comprovado os seus benefícios à saúde.


Estudos com carne de rã têm relatado a presença de elevados teores de cálcio nesse alimento. Tal biodisponibilidade é semelhante a do cálcio presente em leite e em seus derivados, cerca de 20% a 30%, sugerindo que a carne de rã possa ser indicada como uma alternativa alimentar para o combate à carência desse mineral e, também, para a prevenção de osteoporose, hipertensão arterial, cancros de cólon e de estômago, dentre outras patologias.


Com alto teor proteico, contendo os 10 aminoácidos essenciais à saúde, é recomendada, ainda, para o tratamento de doenças gastrointestinais e de diversas alergias, para o pós-operatório, bem como para o tratamento de colesterol elevado. Do ponto de vista nutricional, é indicada para regimes de emagrecimento, visto que apresenta um teor baixo de calorias e de gorduras.

Diversas pesquisas apontam a melhoria do sistema imunológico por meio do consumo da carne de rã e seus derivados. O Mestrado em Desenvolvimento Local UNISUAM há alguns anos realiza estudos relacionados à criação da rã-touro, que envolvem pesquisas que vão desde a otimização de técnicas de criação, passando pelo reaproveitamento da água no setor de girinagem da criação, através de um sistema de filtragem biológica, que proporciona autonomia, ampliando as áreas de criação da rã-touro, viabilizando a produção de girinos, até a utilização da carne de rã como suplemento alimentar.

DSC_0003


Pesquisador do Mestrado em Desenvolvimento Local UNISUAM, o Prof. Dr. José Teixeira de Seixas Filho coordena o projeto de Pesquisa intitulado “Melhorias da técnica de criação de rã-touro”, realizado com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro – FAPERJ e em convênio com a Fundação Instituto de Pesca do Estado do Rio de Janeiro – FIPERJ e as associações de ranicultores do estado, que tem como objetivo estudar formas de baratear os custos de um ranário, para que a carne de rã faça parte do prato de mais brasileiros. “A carne de rã pode ajudar a diminuir mais de 500 erros inatos de metabolismo em seres humanos, como certas alergias a carboidratos”, explica Seixas.

Com a proposta de desenvolver pesquisas voltadas à criação de organismos aquáticos para utilização de forma mais eficaz na alimentação humana, o Grupo de Pesquisa AQUISUAM, também coordenado pelo Prof. Seixas, realiza, em associação com a FIPERJ, a Empresa de Pesquisas Agropecuárias – PESAGRO e os ranicultores do Estado do Rio de Janeiro, estudosque utilizam a carne de rã como suplemento alimentar no tratamento de crianças que têm fortes alergias alimentares e são portadoras da doença Erro Inato de Metabolismo – EIM.

Estima-se que, anualmente, no país nasçam em torno de 900 crianças que apresentam algum tipo de erro inato e que haja, ainda, cerca de 13 milhões de portadores de alergias alimentares.”A criança não pode comer praticamente nada. A carne de rã é a alternativa ideal, porque ela é muito nutritiva e tem um alto teor proteico. Ela permite que a criança sobreviva até o diagnóstico da doença”, afirma Seixas.

Além dos problemas com diagnóstico, que são bastante demorados, e até que se descubra quais os alimentos são permitidos para cada caso, os portadores enfrentam problemas com dietas extremamente restritas, ainda há a dificuldade para comprar este tipo de carne. “Ainda há muito que fazer. Os preços estão muito elevados e o fornecimento feito pela rede pública de saúde é ruim. A maioria das crianças que nascem com esse problema faz parte de famílias de baixa renda. É importante que o preço caia para que essas famílias tenham acesso”, destaca o pesquisador.

Recentemente, a pesquisa realizada pelos Profs. José Teixeira de Seixas Filho, Laura Kiyoko Ide, Sílvia Conceição Reis Pereira Mello, Antônio Luis Silva Lima, Keila Cople Lima, juntamente com a Drª Eliane Rodrigues – Pesquisadora da PESAGRO-RIO, intitulada “Processo de obtenção de farinha de carne e osso de rã-touro para uso como alimento alternativo de baixo custo”, teve a sua patente aprovada e será apresentada no 7º Congresso Latino-Americano de Profissionais e Estudantes de Ciência e Tecnologia de Alimentos e Gastronomia, que acontece entre 10 e 14/10,em Cartagena, na Colômbia.

pesquisadores_dl


A invenção objetiva utilizar a farinha de carne e osso de rã-touro, cuja disponibilidade de cálcio é alta, quando comparada com outras carnes comercializadas no comércio varejista, o que vai facilitar a absorção deste mineral, com baixo custo, aproveitando este subproduto da cadeia produtiva da ranicultura que iria para o meio ambiente como mais um fator de poluição, assim como ampliará a utilização da carcaça em 32%, tornando-se um alimento terapêutico alternativo.


A farinha de carne e osso de rã-touro também figurou na dissertação apresentada pela Profª Laura Kiyoko Ide, docente do curso de Gastronomia UNISUAM, para obtenção do título de Mestre em Desenvolvimento Local. Orientada pelo Prof. Dr. José Teixeira de Seixas Filho e Co-Orientada pela Profª Drª Silvia Conceição Reis Pereira Mello, a pesquisa, que tem como tema “Ampliação da utilização da carcaça de rã-touro com introdução na culinária asiática”, visa ampliar a utilização da carcaça da rã-touro, com a criação de novos tipos de cortes, antes negligenciados.


ra_2


Etapas da desossa das coxas de rã-touro para fins de utilização na culinária asiática: recebimento das carcaças de rãs abatidas sob legislação sanitária (A); amostra do produto e acondicionamento para ser desossado (B); início da separação da musculatura dos ossos (C); desossa da coxa (D); desossa da musculatura da pata traseira (E), aparas dos ossos e cartilagem para preparo de caldos (JUS) (F); Ossos para confecção de farinha (G e H).

ra_3


Etapas da separação da parte óssea da carcaça de rã-touro: corte longitudinal na região mediana da coxa (A); corte sagital na região anterior da coxa para o deslocamento do osso (B); rebatimento da musculatura da coxa sem a parte óssea (C); corte na região inferior da fraldinha, caracterizando o início da sua retirada da estrutura óssea (D), corte final na musculatura da fraldinha, separando-a da carcaça (E); aspecto do esqueleto sem a musculatura da coxa, contra-coxa e fraldinha (F); detalhe do esqueleto da carcaça da rã-touro com os ossos longos ligados à suam (G); quantidade do lote de 50 carcaças de rãs, visão geral (H) e no detalhe (I).

ra_4


Etapas da confecção da farinha de carne e ossos de rã: acondicionamento dos ossos da carcaça nas bandejas e introdução no forno a 100ºC (A e B); retirada das bandejas com os ossos desidratados na estufa, após 9 horas (C); passagem dos ossos em liquidificador a 24.000 RPM por 10 minutos (D); obtenção da farinha e acondicionamento em sacos de plástico (E); embalagem a vácuo da farinha evitando a oxidação (F).


Foi desenvolvida tecnologia, por meio de aquecimento para a utilização da parte óssea da carcaça, objetivando a elaboração de um produto rico em proteína e cálcio. Estas ações culminaram na introdução da carne de rã na culinária asiática e na consequente ampliação de sua degustação, realizando o aproveitamento total da região muscular da carcaça da rã-touro pelo mapeamento das suas diferentes regiões, acrescentando aos tipos clássicos a Fraldinha, a Palheta e a Pós-Contra Coxa, valorizando as partes menos nobres, tornando-as protagonistas na culinária asiática, ampliando a sua utilização, com aprovação do paladar pela técnica das análises sensorial e pareada.


Foi elaborado, ainda, um Alimento Alternativo de Baixo Custo – AABC com a base de farinha de carne e osso, cumprindo as normas de boas práticas de fabricação, indicando boas condições higiênico-sanitárias e segurança do alimento até o 45º dia apto para consumo humano, com a promessa de ser um excelente alimento funcional, apresentando semelhança com a da carne de rã-touro, podendo suprir carência de cálcio e a própria desnutrição pela qualidade de sua proteína.


DSC_0031


A UNISUAM abriga um ranário para a realização desses estudos, com tanques, onde as rãs ficam separadas por fases de desenvolvimento – de girinos até a idade adulta. São 60 matrizes e um total de 400 rãs, que, abatidas, produzem carne suficiente para o desenvolvimento de todos os projetos.






Quer estudar com a gente?

MATRÍCULAS ABERTAS

Conheça o Mestrado, Doutorado em Desenvolvimento Local UNISUAM!

Para mais informações, ligue (21) 3882-9797





Luana Medeiros

Por

Analista de Comunicação e MKT/Jornalista/Revisora - Especialista em produção de conteúdo com foco em alta performance

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Nenhum comentário