Da depressão às Paralimpíadas


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Wallace Santos, aluno do 5º período de Educação Física UNISUAM, ficou paraplégico aos 21 anos e, com muita dedicação, alcançou o patamar de Melhor do Brasil no Atletismo

 

Conhecer pessoas com histórias fortes é sempre uma experiência inspiradora. Quando essa história envolve superação e reinvenção então, nem se fala. 

 

Wallace Oliveira é dono de uma dessas histórias com altos e baixos, muitas dificuldades e conquistas também. Foi em fevereiro de 2007 que a vida do estudante de Educação Física mudou. Ele tinha 21 anos, estava aprendendo a lidar com as descobertas do filho, de 6 meses, e trabalhando para melhorar a sua realidade quando, ao realizar a manutenção do freio de um ônibus, o macaco hidráulico não sustentou o automóvel, fazendo-o cair em cima dos membros inferiores de Wallace. Bastou um segundo. Um momento para que todos os sonhos, deveres e planos de Wallace fossem interrompidos.

 

 

 

Necessidades e dependência

 

Wallace sabia que seria preciso se reinventar. Sabia também que a adaptação aos novos limites não seria fácil, porém a falta de independência e liberdade para se locomover o levou à depressão. 

 

“Minha vida acabou”, era o que ele repetia. 

 

Foram meses sem sair do quarto, deitado em uma cama e tendo a sua mãe como o único contato com o mundo externo. Recluso, chegou a pesar 130 kg e dependia da mãe, Cássia, para toda e qualquer necessidade. Justamente por isso, estava claro que seria ela o fator principal para uma nova mudança.

 

Dona Cássia começou a buscar alternativas para que o seu filho conseguisse independência, sabendo que lhe oferecer um rumo era essencial para que novas perspectivas fossem criadas e Wallace se sentisse capaz de se fortalecer. 

 

Como uma mãe que vê o filho sem rumo e só quer vê-lo se reerguer, ela buscou conscientizar o filho com uma pergunta dura e objetiva: “você colocou um filho no mundo e vai largá-lo?”.

 

A reflexão desenvolvida a partir daí abriu os olhos de Wallace, que percebeu a necessidade de se restabelecer não apenas por ele, mas pelo filho, David Lucas, que estava crescendo e perdendo a convivência com o pai.

 

“Foi quando pensei: eu estou aqui e não vou desistir de mim mesmo”, diz ele, que colocou ali um ponto final no autossabotamento.

 

 

 

O encontro com o esporte

 

Seria mentira dizer que o processo foi rápido. Dona Cássia foi quem sugeriu o esporte como solução para os dias de tristeza do filho depois de conhecer a Associação de Apoio a Pessoas com Deficiência da Zona Oeste (ADEZO). 

 

Como Wallace estava ciente de que haviam chances de cuidar, criar e ajudar no futuro de David Lucas, ele buscou a ADEZO para conhecer as suas oportunidades de desenvolvimento. Assim, Wallace alcançou a primeira vitória: sair de casa com frequência. 

 

Na ADEZO, ele conheceu e praticou vários esportes (basquete, handebol, tênis de mesa…), enquanto fazia musculação e não almejava competições, paralimpíadas ou grandes vitórias. Estava aproveitando a primeira grande vitória: sair de casa com frequência e se sentir disposto. Mas, foi no Atletismo que ele se encontrou, despontando ainda mais depois de contar com o incentivo de grandes profissionais.

 

 

 

Profissionais que inspiram

 

Foi em um treino de Jonas Licurgo, carioca e atleta recordista, que já figurou entre os 3 melhores do mundo no lançamento de dardo paralímpico, que Wallace fez o seu primeiro arremesso. 

 

Jonas o viu acompanhando o andamento dos exercícios e chamou Wallace para sentar na cadeira de arremesso e fazer a sua primeira tentativa. Apesar de o peso ter caído a poucos metros de distância, a treinadora Jurema Henrique viu futuro nele. 

 

 

Depois de ser apresentado ao seu atual preparador, Paulo Henrique Lopes, Wallace conheceu valores essenciais, além de uma revelação importante: a vida de atleta não é para sempre. Com 14 anos de experiência com atletas deficientes, o treinador o incentivou a investir em uma faculdade e pensar na sua vida pós-atletismo. 

 

“Vejo muito ex-atleta voltando para a depressão porque o esporte, que o tirou dela, faz falta”, comentou Lopes. 

 

O treinador apresentou Wallace à UNISUAM, já que conhecia os professores Gilson Ramos e Patrícia Vigário, evidenciado a maneira como o esporte adaptado é valorizado pela Instituição – principalmente com as opções de Mestrado e Doutorado. 

 

A melhor parte nisso tudo foi que Wallace não precisou se adaptar à UNISUAM, foi a UNISUAM que se adaptou a ele. Matriculado na Unidade Bangu, percebeu no primeiro dia de aula que o acesso não era favorável: tiveram que o carregar no colo, para que chegasse até as primeiras aulas. Mas, logo na primeira semana, os responsáveis pela infraestrutura providenciaram rampas e acessos para que a Unidade chegasse ao nível de hoje. 

 

A sensação de ser valorizado e acolhido é definida por Wallace como “sensacional” e ele diz que todos estão “sempre à disposição para ajudar e melhorar a infraestrutura para receber os alunos”.

 

 

 

Superação e futuro

 

Wallace, hoje, coleciona muitas vitórias. Está aperfeiçoando os seus conhecimentos no 5º período do curso de Educação Física UNISUAM, participou da Paralimpíada na categoria  Arremesso de Peso classe F-55 e do Circuito Loteria de Caixas, bateu recorde brasileiro no Regional Rio Sul em 2018 e o recorde das Américas no Open Internacional Loterias Caixas pela seleção brasileira. Recentemente, ele ainda recebeu uma grata surpresa: uma convocação para o Pan-Americano de Lima, no Peru.

 

Participando das Paralimpíadas Universitárias pela primeira vez e representando a UNISUAM, ele diz que gosta de desafios e que não quer descanso – só quer mais treinos e mais pódios. 

 

Da depressão às Paralimpíadas

 

Neste dia 26, enquanto Wallace estiver competindo nas Paralimpíadas, o filho, que tinha 6 meses na época do acidente, completa 13 anos. O menino David Lucas acompanha o pai sempre que possível e o ajuda nos treinos, dando força e motivação para o atleta. Se encontrasse o Wallace da época do acidente, avisaria que haveriam dificuldades, mas que o esporte seria a solução. Para o filho e para todos os que conhecem a sua história, ele gosta de falar com orgulho: “esporte é vida”.

 

 

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Revisão: Luana Medeiros





Mariana Mortani

Por

Mariana Mortani é estudante de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Foi colunista do Pauta Rio, do site da autora Isabela Freitas e tradutora de Inglês, Espanhol e Italiano do autor argentino Hugo Accardi. Em 2014, organizou a primeira Feira Literária da Zona Norte do Rio de Janeiro; em 2017, publicou o seu primeiro livro; e, desde 2012, atua no mercado literário com leituras críticas, traduções, entrevistas e cobertura de eventos. Atualmente, está estagiando no setor de Comunicação e Marketing da UNISUAM e possui um canal no YouTube sobre cinema e literatura com mais de 1 milhão de visualizações.

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