Alunos que apresentaram trabalhos na INTERCOM falam sobre a experiência


Alunos que apresentaram trabalhos na INTERCOM falam sobre a experiência

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No dia 13/09, foi publicado um texto sobre os alunos que foram à INTERCOM, o maior congresso de comunicação do Brasil.

Depois da apresentação, eles falaram sobre seus trabalhos, sua experiência no congresso e seus planos para o futuro.

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Isabelle Loureiro é Egressa do curso de Jornalismo, foi estagiária do Centro de TV UNISUAM, estagiou na editora Central Gospel e Nasajon Sistemas. Depois de formada, começou a se dedicar a projetos pessoais.

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Alberto Vargas trabalhou em agências durante a Graduação, nas áreas de Mídias Sociais, Planejamento e Gestão de Pessoas. Hoje, ele trabalha exclusivamente como freelancer.

Veja agora a conversa que tivemos com eles.

 

 

Como surgiu a ideia de escrever este artigo?

 

Isabelle Loureiro: O artigo, na verdade, foi meu TCC. A ideia surgiu quando fiz um artigo com uma amiga sobre o mercado gospel para a matéria de Projeto de Pesquisa. Pelo tempo que estagiei na Central Gospel, tive a oportunidade de ver como esse mercado funciona, como ele se mistura com a religião. Achei curioso como tudo parecia uma questão quase cultural daquele meio. Dos produtos até o modo de falar das pessoas. Comecei a pesquisar sobre o assunto e quis me aprofundar.

Escrever o TCC e, posteriormente, o artigo foi muito bom! Eu me sentia até um pouco estranha quando dizia que estava amando fazer TCC porque é o estágio mais temido da Graduação. Eu gosto de escrever e estava escrevendo sobre algo que gosto. Sou apaixonada por música e sou cristã. Então foi muito bom pesquisar.

 

Alberto Braga:  Um dia li o livro “Cultura da Mídia”, do Douglas Kellner, e achei interessante um capítulo que fala sobre a estética pós-moderna na Publicidade. Pensei que seria um bom tema para o TCC, mas eu precisava de um objeto de pesquisa para ser o estudo de caso do meu trabalho. Foi então, assistindo TV, que percebi que a personagem do Supermarket apresentava várias características descritas neste capítulo do livro do Kellner. Isso ocorreu um ano antes de eu fazer a monografia. Época que entrei em contato com a Profª Mirian, pedindo para que ela fosse minha orientadora de TCC.

O desenvolvimento da monografia começou bem antes do processo de escrita. Assim que surgiu a ideia de abordar a senhorinha do Supermarket, decidi fazer um projeto de pesquisa para delimitar o tema. Esse documento foi importante para que eu não fugisse do assunto no momento de produzir o TCC. Até aquele momento eu não sabia muita coisa sobre pós-modernidade e muito menos sobre semiótica. Fui até ao Google Acadêmico e pesquisei por artigos que abordassem esses dois assuntos. Além de ler as tais publicações, também fui atrás dos livros que constavam nas bibliografias desses artigos. Isso me ajudou bastante para que o meu trabalho não ficasse superficial. Tive o auxílio da Profª Mirian, que me indicou excelentes referências de livros e autores. Sou muito grato a ela.

 

E quais dificuldades vocês enfrentaram durante a escrita?

 

Isabelle Loureiro: A maior dificuldade foi encontrar material bibliográfico específico. Nisso, a Profª Mirian me auxiliou muito! É um tema pouco abordado e está começando a ser estudado e discutido agora. Também foi difícil fazer o histórico da música cristã no Brasil porque não existem muitos registros do início. Contei com uma ajuda especial do meu pai e alguns conhecidos com boa memória e garimpei em alguns livros, matérias, entrevistas etc.

 

Alberto Braga: A maior dificuldade que tive foi ler um grande número de livros em um curto período e, ao mesmo tempo, entregar os capítulos no prazo definido pela Prof.ª Mirian. Essa experiência me mostrou que é necessário pensar na monografia um ano antes, pelo menos.

 

Sobre o seu trabalho, vocês poderiam explicá-los em termos leigos?

 

Isabelle Loureiro: No artigo procurei relacionar estudos sobre as transformações sociais e culturais com a transformação da música cristã no Brasil fazendo uma espécie de comparação. Como a necessidade de uma identidade própria fez com que a produção musical dos evangélicos mudasse ao longo dos anos. E, por fim, fiz um panorama da situação atual da música cristã estudando um novo movimento de artistas que buscam uma nova identidade não se inserindo no mercado ou aderindo à nomenclatura “gospel”, mas, ainda assim, produzindo música cristã em meio à cultura popular.

 

Alberto Braga: Meu trabalho fala sobre a sociedade consumista e a incessante busca pelo prazer individual e pela jovialidade. Características manipuladas pela moda, pela Publicidade e pela globalização. É um esquema capitalista que legitima a pós-modernidade. Há autores que chamam de hipermodernidade. Segundo alguns teóricos, tudo que tinha para acontecer de inédito na cultura, na política e na nossa vida social já aconteceu na era moderna. Agora vivemos um desgaste, a “xepa da feira”. Um exemplo claro disso é perceber que muitos jovens e adolescentes são “despolitizados”. Eles não confiam em nenhum tipo de ideologia. Bem-vindo à pós-modernidade!

 

Além disso, eu precisava explicar o duplo sentido causado pela “Dona Marta”. A semiótica foi essencial para desconstruir os sentidos que a personagem do Supermarket produz.

 

Sobre a INTERCOM, vocês podem dizer como foi essa experiência?

Isabelle Loureiro: Foi uma oportunidade fantástica! Estive em outras apresentações e foi bem legal conhecer outras pesquisas em tantas áreas diferentes da Comunicação. Eu sabia que o estudo de Comunicação Social é diverso, mas não tinha noção do quanto.

 

Na hora de apresentar sempre surge aquele nervosismo. Mas, no final deu tudo certo. Recebi comentários bastante positivos de alguns dos que assistiram e algumas dicas para aprimorar minha pesquisa.

 

Alberto Braga: Sabe parque de diversão e você quer ir em todos os brinquedos ao mesmo tempo? Foi assim que me senti na INTERCOM. (risos)

 

Eu queria assistir às inúmeras apresentações ao mesmo tempo. Minha maior felicidade foi encontrar tantos estudantes e professores que citavam os mesmos teóricos que eu li durante a produção do meu TCC. Por alguns instantes deixei de me sentir como um “lobo solitário”, porque, até então, na UNISUAM, eu só falava sobre esses pensadores com a Profª Mirian.

 

Fiquei muito nervoso durante a minha apresentação, mas acredito que fui bem. Um ponto que destaco foi o momento que expliquei semiótica. Acho que consegui falar sobre um assunto bastante complicado de maneira clara. Porém, tenho a consciência de que preciso aperfeiçoar minha fala. Eu sou melhor escrevendo. Quando me apresento, eu fico muito eufórico. É a forma como o meu nervosismo reage. (risos)

 

O melhor feedback que recebi foi identificar a integração do meu trabalho com os dos outros estudantes. Cada apresentação enriquecia o debate sobre identidade, o conceito pós-moderno e o papel da Publicidade. Parabenizo os professores que selecionaram os artigos.

 

Depois de formados e com um artigo publicado no maior congresso do país, quais são os planos para o futuro?

 

Isabelle Loureiro: Um dos motivos pelos quais foi uma experiência fantástica é porque quero seguir com a pesquisa. Pretendo aprimorar e seguir para o Mestrado. E foi ótimo, pois conheci instituições e estudantes de outros estados e instituições que seguem essa linha de pesquisa e isso tem me incentivado a continuar e aprimorar o trabalho. Com a ajuda de outras pesquisas posso montar o projeto para o Mestrado.

 

Alberto Braga: Planejar o futuro só antecipa frustrações, pois muita coisa que eu planejei não aconteceu. Então prefiro viver o instante. Eu também sou muito indeciso. Há momentos que penso de forma convicta em tentar Mestrado, mas depois surge uma vontade enorme de prestar concurso. De uma coisa eu tenho certeza: não quero mais trabalhar em Agência de Publicidade. Desejo me tornar pesquisador e associar assuntos relacionados aos estudos culturais com a comunicação, mas não sei se realmente esse será o meu ofício no futuro. Faltam três anos para eu fazer trinta anos. Acho que antecipei a crise dos 30! (risos)

E, para finalizarmos, vocês podem dar uma dica para quem quer seguir uma carreira como a de vocês?

 

Isabelle Loureiro: Acho que para qualquer coisa na vida o segredo é fazer o que amamos. Assim, fazemos com mais disposição e mais empenho e o resultado é sempre melhor.

 

Alberto Braga: O que eu posso deixar é a seguinte percepção que apresentei no último parágrafo do meu TCC:

 

“O presente trabalho sugere a reflexão sobre a importância que o profissional de Publicidade precisa empregar aos estudos culturais, aos períodos históricos da humanidade, às teorias da Sociologia, além dos pensamentos filosóficos, e consultá-los sempre que necessário com o objetivo de compreender o seguinte – e principal – item que compõe uma campanha publicitária: gente, pessoas, nichos. De nada adianta munir-se de excelentes ferramentas tecnológicas e estimular uma vocação empreendedora se não se der suma importância aos recursos acadêmicos (livros, artigos, dissertações e teses), que esclarecem sobre as origens dos sentimentos que motivam a sociedade a consumir. Quando o Publicitário em formação possui a respectiva consciência, que deve ser adquirida através do corpo docente das universidades, raramente ele comete o erro de construir o perfil de um determinado público-alvo baseado em suas convicções pessoais ou em informações superficiais extraídas de algumas páginas da internet. A pesquisa científica relacionada ao comportamento humano torna-se prioridade para a Publicidade, a fim de que o profissional não seja enganado pela sua própria visão.”

 





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