A Favelada Arquiteta – Conheça a história da egressa que vem mudando realidades por meio da Arquitetura


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Na adolescência, ela gostava de imaginar o que faria para deixar a favela mais bonita. Quando se formou, no ano passado, resolveu se dedicar a projetos de moradia para favelas.

 

 

Destaque em matéria publicada pela Piauí, a egressa do curso de Arquitetura e Urbanismo UNISUAM, Patrícia Gomes de Oliveira, 39 anos, matriculou-se no curso, em 2013, após obter uma bolsa de estudos pelo Prouni.

 

(Leia mais: Arquitetura e Urbanismo UNISUAM é nota 4 no MEC!)

 

“A experiência acadêmica na UNISUAM foi um divisor de águas na minha vida. Cheguei com todos os receios possíveis, pois sabia que não seria fácil cursar Arquitetura e Urbanismo com todos os déficits da educação inerentes à formação básica em escolas públicas. Mas, fui e consegui! Gratidão enorme por toda estrutura pedagógica que encontrei na Instituição. Os professores, a biblioteca, laboratórios e corpo técnico. Tudo isso teve extrema importância para o meu êxito”, revela, orgulhosa, Patrícia.

 

Segundo a egressa, a Graduação não deu a ela apenas conhecimentos e bases teóricas para que ela pudesse colocar em prática o seu sonho de tornar a favela um lugar mais aprazível e que oferecesse opções de lazer para os seus moradores, mas também propiciou a sua participação no Projeto de Extensão “Arquitetando Intersubjetividades”.

 

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Coordenado pelo Prof. Dr. André Carvalho e com foco de interesse principal na oferta de assistência técnica gratuita para o projeto e a construção de habitação de interesse social para famílias de baixa renda da comunidade de Manguinhos, na cidade do Rio de Janeiro, a atividade oportunizou que ela se colocasse na posição de Arquiteta, vivenciando o cotidiano e os desafios da área, com todas as glórias e vislumbres da profissão.

 

“Levar a academia para dentro da favela de Manguinhos, entendendo as necessidades do local enquanto moradora e profissional foi uma experiência muito importante para mim e para os meus amigos do projeto. Alunos que não eram moradores de favelas, mas que não tinham os preconceitos que costumamos ver, com certa frequência, em muitos profissionais da área na nossa vivência in loco. Foi ali, que eu entendi que poderia fazer a diferença e me tornei A Favelada Arquiteta”, afirma Patrícia.

 

A egressa conta que o Prof. Dr. André Carvalho, seu orientador do TCC, explicou que existe diferença entre Arquiteto Favelado e Favelado Arquiteto. O primeiro, geralmente, projeta em favelas, mas sem o toque de reconhecer e ouvir as necessidades vindas dos moradores. Já o Favelado Arquiteto tem legitimidade para falar e projetar enquanto profissional e morador, pois vivencia o local.

 

“Um exemplo que ilustra bem esta teoria são os gastos com o PAC Manguinhos. Foram milhões de reais e a favela continua sofrendo com enchentes, tem esgoto à céu aberto, dentre outros problemas que poderiam ter sido sanados com a verba liberada pelo governo. A Rambla Carioca, aquele espaço na parte de baixo da estação de trem de Manguinhos, não era prioridade para a nossa comunidade. Com o dinheiro que gastaram na estação, podiam ter feito mais espaços de lazer. No miolo da favela, onde o bicho pega, não tem nada para as crianças. Podiam ter feito uma boa limpeza no rio Faria-Timbó, que todo verão transborda e alaga Manguinhos”, destaca ela.

 

Com o intuito de se engajar cada vez mais em projetos voltados para a construção de habitação de interesse social e com o desejo latente de contribuir para transformar socialmente a comunidade em que estava inserida, Patrícia deu início ao projeto Casa da Lala, classificado por ela como seu projeto de vida atual e tema da matéria publicada na revista Piauí no mês de julho.

 

“O projeto Casa da Lala, também chamado por mim de Casa 3B: boa, bonita e barata, é a realização de um sonho pessoal, mas também vejo muito de habitação de interesse social, uma vez que a Lala encontra-se em situação de extrema vulnerabilidade por ser mulher trans, não ter pais, tem um leve distúrbio e pouca proximidade com a família. Tudo isso, fez com que despertasse em mim o desejo de projetar algo que a beneficiasse, tendo em vista que sou amiga dela desde quando ela era criança e eu sou 8 anos mais velha que ela. De uns anos para cá, por conta da nossa aparência física, a adotei como filha do coração e quero dar esse presente para ela”, declara, emocionada, a Arquiteta.

 

Com as casas demolidas durante as obras do PAC, alguns terrenos deixados com escombros foram disponibilizados para novas construções e, a partir da doação de um terreno com 20m², feita pela Associação de Moradores de Manguinhos, que Patrícia encarou o desafio de, nesse pequeno espaço, fazer uma casa que atendesse às necessidades básicas da amiga e fosse também seu local de trabalho: uma cozinha americana, um pequeno banheiro e uma sala com um sofá-cama, um espelho e uma cadeira de salão de beleza.

 

“O projeto consiste em 2 pavimentos, edificação de uso misto. O primeiro pavimento terá sala/salão de beleza, cozinha americana e banheiro. No segundo pavimento, uma suíte, área de serviço e uma exigência da cliente: um chuveirão para o lazer. No entanto, a casa precisou ser elevada em 1,5m por conta das enchentes pontuais no local, já que o Rio Faria Timbó passa próximo ao terreno. Um Favelado Arquiteto, com certeza, teria investido parte do dinheiro do PAC para solucionar este problema, que se arrasta há décadas e é sempre falado pelos moradores. Pena não darem ouvidos a quem vive o caos”, explica Patrícia.

 

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A egressa, ressalta, ainda, que o Prof. Dr. André Carvalho foi o seu primeiro incentivador para startar o projeto Casa da Lala. O docente apresentou o projeto de Patrícia ao Núcleo de Práticas de Projetos – NPP UNISUAM, que tem como missão atuar em prol dos alunos e da comunidade local, de forma simultânea, com o desenvolvimento de projetos de Arquitetura e Urbanismo prestados pelos alunos matriculados, sob a supervisão de egressos e docentes do curso de Arquitetura e Urbanismo da Instituição, de modo voluntário, oferecendo à população gratuitamente um atendimento técnico qualificado nesta área.

 

“Sempre aparecem anjos na minha vida e na faculdade não foi diferente, encontrei amigos que me abraçaram e olharam para mim além do que fica aparente, visto a olho nu, entende?! O Prof. André é um presente que a UNISUAM me deu! Assim como a Profª Regina Pimenta, o Prof. William Bittar, o Prof. Tarciso Binoti, Denise Marques, Alexandre Machado, Priscila Soares, Rafael Oliveira, Gizelle Ferreira, Roberta Tavares e, claro, o Coordenador do nosso curso, Gustavo Jucá, figuras importantíssimas no meu desenvolvimento durante os 5 anos que vivi na Instituição”, observa ela.

 

Foi no NPP que a Casa da Lala começou a sair do papel. Lá, Patrícia conheceu Iamara Vargas, Cristiane Costa, Geovana Rios, além de Éric Gallo, seu orientador no desenvolvimento do projeto, que ela mesmo define como “um outro amor que a UNISUAM me deu”.

 

“Não sou muito boa com os programas usuais da Arquitetura, mas aí entraram “anjxs” na minha vida e no projeto da Lala. Iamara, Cris e Geovana desenharam o primeiro projeto no CAD. Foram vários encontros de almas durante essa trajetória regada a muitas lágrimas e milhares de sorrisos. A partir deste encontro, o projeto começou a ter uma forma arquitetônica. O segundo passo era conseguir material e mão de obra. Fiz uma carta-convite para que donos das lojas de materiais de construção da favela de Manguinhos pudessem colaborar com os itens para o início da 1ª etapa do projeto: a fundação da casa. Consegui algumas coisas, encontrei o pedreiro perfeito, Sr. Aldomiro, mas faltava verba para pagá-lo, principalmente. Fiz um post no Facebook e consegui 25% do que precisava. A urgência do momento é colocar a laje que ficou orçada em R$ 2.000,00”, conta a egressa.

 

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Patrícia faz questão de frisar que é preciso retribuir ao Universo tudo de bom que tem acontecido em sua vida e concluir a Casa de Lala é apenas o começo dos muitos projetos que a Favelada Arquiteta tem em mente.

 

“Sinto que tenho um longo caminho para percorrer, mas tenho certeza de que chegarei aonde devo chegar. Pretendo reverberar, sim, este conceito primeiramente em Manguinhos e, se possível, em qualquer outro lugar do mundo que precise de uma Favelada Arquiteta, que está chancelada pela vida a entrar em locais que outros Arquitetos não se sintam confortáveis”, finaliza ela, com brilho nos olhos e um sorriso de esperança no rosto.

 

 

 

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Luana Medeiros

Por

Analista de Comunicação e MKT/Jornalista/Revisora - Especialista em produção de conteúdo com foco em alta performance

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